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A Nike é uma das marcas mais conhecidas do mundo. O swoosh e a assinatura Just do it são apenas alguns exemplos de como a Nike ditou a forma de se comunicar com consumidores nas últimas três décadas.
O slogan Just do it sempre foi visto como algo maior, tanto que ele se tornou parte de uma afirmação social e cultural com intenção de melhorar a vida das pessoas. Na época em que foi criado, o poder das palavras e conceitos nas mÃdias de massa era enorme, e serviam como combustÃvel para alavancar e fortalecer a identidade das marcas.
O tempo passou, e hoje vivemos em outra realidade, com novos padrões de comportamento, relacionamento e consumo.
Mudança de visão
Em 2006, Dan Weiden, um dos donos da agência Weiden & Kennedy que atende a Nike, afirmou que a empresa percebeu a mudança e começou a investir em comunidades online. Desse esforço surgiu a plataforma Nike+, que mudou a maneira de se fazer comunicação.
O Nike+ foi criado pela agência americana RGA e é mais que uma simples campanha, é a junção do hábito de correr com a música, feita através do iPod e dos tênis da Nike. É uma estratégia criada por uma agência digital que virou produto e impactou diretamente o negócio da Nike.
No Nike+ você programa seu treino através do iPod, e um sensor dentro do tênis recebe informações como o tempo restante de corrida e o progresso realizado. Ao término do treino, é possÃvel sincronizar o iPod, e enviar os dados para o site, que os apresenta de forma lúdica e visual. Ali fica armazenado um histórico de desempenho com metas e resultados, e todas as informações podem ser compartilhadas.
Com isso, o site se tornou uma comunidade global de corredores que competem e trocam informações online. Basicamente, a Nike criou o maior clube de corrida do mundo, e para isso ela simplesmente aliou a tecnologia a um comportamento que já existia há mais de 30 anos.
Receita de sucesso
Depois do Nike+, agências e clientes perceberam o potencial existente no marketing digital para criar um engajamento duradouro com os consumidores.
Mas a empresa não parou por aà e continuou a investir em diversificar as possibilidades de conexão com seu público. Criou a comunidade Ballers Network focada em basquete e que contempla desde o streetball até a NBA.
Por último, veio o futebol. Como parte da campanha Take It to the Next Level, a Nike criou o Bootcamp, um programa de treinamento para os jovens que desejam se tornar jogadores profissionais.
Ampliação do foco
Esses três exemplos consolidaram a posição de liderança da empresa dentro do mercado de produtos esportivos, já que suas rivais diretas não possuem estratégias tão consistentes de engajamento.
Em contrapartida, existem milhões de consumidores que usam os produtos da Nike em seu cotidiano, independente de serem ou não esportistas. Elas possuem uma estreita ligação com a arte, a música e a cultura da cidade onde vivem.
Para suprir essa lacuna, a empresa acaba de lançar o aplicativo mobile Nike True City, por enquanto exclusivo para iPhone. No app, as seis cidades européias, Londres, Berlim, Milão, Amsterdã, Barcelona e Paris, são apresentadas com informações e dicas de pessoas que estão por dentro de tudo o que acontece de mais interessante na cena cultural, artÃstica e social.
O True City pode ser alimentado por qualquer pessoa, e de tempos em tempos, a Nike identificará quais foram as que mais contribuÃram para avaliar e melhorar o aplicativo. Essas pessoas farão parte do grupo Nike Insiders, uma espécie de clube composto por pessoas antenadas, criativas e descoladas que atuarão como parceiras da marca.
Engajamento superior
Com Nike True City, a marca renova o desafio de superação dos próprios limites, com que provocou os esportistas através da sua vitoriosa campanha Take It to the Next Level.
Sai de cena o lendário conceito aspiracional Just do it. E entram as experiências relevantes para o consumidor.
No cenário mais provável, a Nike ampliará a distância que a separa da concorrência e poderá deixar de batalhar para ser a simplesmente a melhor para tornar-se única em seu mercado e possuir como vantagem competitiva um nÃvel superior de engajamento do consumidor.
Welcome, to the next level!
Postado por Caio Antunes

Em um post recente, abordamos o cenário mobile e as oportunidades que ele reserva para as marcas construÃrem um relacionamento mais próximo com os consumidores. E isso coincidiu com o momento em que o Google colocava dois vÃdeos na web, nos quais explica o funcionamento dos seus novos aplicativos mobile.
Um deles, o Google Goggles permite à s pessoas fazer pesquisas visuais a partir da câmera do celular. O funcionamento é muito simples: Você aponta o celular para um objeto, e tira uma foto; e, a partir daÃ, o aplicativo escaneia a imagem, e mostra a você informações relacionadas ao objeto enfocado.
A palavra ‘goggles’, na lÃngua inglesa, é um substantivo utilizado para descrever algum tipo de óculos especial, como um próprio para ski/snowboard ou até mesmo um óculos 3D. Aliás esse é o logo do aplicativo.
O outro vÃdeo é sobre o projeto Favorite Places, no ar desde o inÃcio do ano, que tem como produto um guia de locais, passeios e estabelecimentos existentes nas principais cidades do mundo. Nos Estados Unidos, o Google mapeou os 100 mil estabelecimentos favoritos dos usuários, e enviou, a cada um desses estabelecimentos, um adesivo com realidade aumentada que possibilita o acesso a informações e comentários pelo celular.
Qual o real significado dos lançamentos?
Em abril deste ano, a Apple atingiu a marca de um bilhão de downloads de aplicativos na iTunes Store, que ao lado das vendas de iPhones tiveram ampliação progressiva, ignorando os efeitos crise econômica que se observavam por toda parte. A partir de então, o Google, com sua plataforma Android, intensificou o investimento em tecnologias mobile, de olho no extraordinário potencial desse mercado.
Com os aplicativos Google Goggles e Favorite Places, a empresa trilha um caminho que exemplifica muito bem o pensamento de Michael Porter, professor em Harvard e especialista em Estratégia e Competitividade nos Negócios, segundo o qual “não basta ser o melhor, mas o únicoâ€.
O Google obviamente percebeu que a Apple, por ser uma marca premium já consolidada, possui caracterÃsticas exclusivas baseadas na altÃssima qualidade dos seus produtos. E que a melhor maneira para conquistar fatias expressivas de market share, tendo o mesmo público como alvo, seria adotar como estratégia a máxima exploração dos diferenciais competitivos próprios, para o desenvolvimento de uma nova plataforma e aplicativos com a tecnologia mais avançada disponÃvel.
E, assim, avançar progressivamente até conseguir eclipsar, no futuro próximo, o sucesso da concorrente, hoje lÃder disparada do mercado mobile.
Quem ganha com isso é o consumidor, porque, no final das contas, o que mais irá importar não é a marca ou modelo do equipamento em suas mãos, mas sim qual é aquele que disponibiliza a tecnologia mobile em seu pleno potencial, e integra as ferramentas mais adequadas para cumprir o objetivo principal de ajudá-lo a fazer o que você deseja ou precisa, a qualquer momento e em qualquer lugar.
Muito breve, o mundo não será o mesmo.
Aplicativos como os dois ora apresentados ilustram os efeitos surpreendentes da incorporação da realidade aumentada ao mobile. A combinação explosiva dessas duas tecnologias promoverá uma revolução Ãmpar que transformará de modo irresistÃvel o dia-a-dia das pessoas, alastrando-se rapidamente para toda a sociedade.
É evidente que o Google ‘embarcou nesse trem’ com a clara certeza de que seria fatal permanecer de fora, ou mesmo – em face da sua ambiciosa visão corporativa – contentar-se com um papel de coadjuvante no processo. Mas também com o sabor amargo de que, se tivesse acordado antes, hoje a Apple não reinaria tão absoluta no mercado mobile.
Você está pronto?
Entretanto, mais importante do que o resultado do duelo entre os dois titãs é que este novo paradigma irá nos transportar a todos, como em um ‘trem-bala’, para um futuro que até então parecia distante. No cenário projetado, a atual hierarquia das marcas, abalada pelo impacto da mudança, será reordenada, em função da agilidade de cada uma em ‘pegar o trem’ antes que as outras.
É o momento da derradeira chamada na plataforma de embarque: “Atenção, marcas com destino à Era Mobile! O trem já está pronto pra partir: Último aviso!â€.  Ceticismo e hesitação poderão ser fatais.
Postado por Caio Antunes

