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Em um post recente, abordamos o cenário mobile e as oportunidades que ele reserva para as marcas construÃrem um relacionamento mais próximo com os consumidores. E isso coincidiu com o momento em que o Google colocava dois vÃdeos na web, nos quais explica o funcionamento dos seus novos aplicativos mobile.
Um deles, o Google Goggles permite à s pessoas fazer pesquisas visuais a partir da câmera do celular. O funcionamento é muito simples: Você aponta o celular para um objeto, e tira uma foto; e, a partir daÃ, o aplicativo escaneia a imagem, e mostra a você informações relacionadas ao objeto enfocado.
A palavra ‘goggles’, na lÃngua inglesa, é um substantivo utilizado para descrever algum tipo de óculos especial, como um próprio para ski/snowboard ou até mesmo um óculos 3D. Aliás esse é o logo do aplicativo.
O outro vÃdeo é sobre o projeto Favorite Places, no ar desde o inÃcio do ano, que tem como produto um guia de locais, passeios e estabelecimentos existentes nas principais cidades do mundo. Nos Estados Unidos, o Google mapeou os 100 mil estabelecimentos favoritos dos usuários, e enviou, a cada um desses estabelecimentos, um adesivo com realidade aumentada que possibilita o acesso a informações e comentários pelo celular.
Qual o real significado dos lançamentos?
Em abril deste ano, a Apple atingiu a marca de um bilhão de downloads de aplicativos na iTunes Store, que ao lado das vendas de iPhones tiveram ampliação progressiva, ignorando os efeitos crise econômica que se observavam por toda parte. A partir de então, o Google, com sua plataforma Android, intensificou o investimento em tecnologias mobile, de olho no extraordinário potencial desse mercado.
Com os aplicativos Google Goggles e Favorite Places, a empresa trilha um caminho que exemplifica muito bem o pensamento de Michael Porter, professor em Harvard e especialista em Estratégia e Competitividade nos Negócios, segundo o qual “não basta ser o melhor, mas o únicoâ€.
O Google obviamente percebeu que a Apple, por ser uma marca premium já consolidada, possui caracterÃsticas exclusivas baseadas na altÃssima qualidade dos seus produtos. E que a melhor maneira para conquistar fatias expressivas de market share, tendo o mesmo público como alvo, seria adotar como estratégia a máxima exploração dos diferenciais competitivos próprios, para o desenvolvimento de uma nova plataforma e aplicativos com a tecnologia mais avançada disponÃvel.
E, assim, avançar progressivamente até conseguir eclipsar, no futuro próximo, o sucesso da concorrente, hoje lÃder disparada do mercado mobile.
Quem ganha com isso é o consumidor, porque, no final das contas, o que mais irá importar não é a marca ou modelo do equipamento em suas mãos, mas sim qual é aquele que disponibiliza a tecnologia mobile em seu pleno potencial, e integra as ferramentas mais adequadas para cumprir o objetivo principal de ajudá-lo a fazer o que você deseja ou precisa, a qualquer momento e em qualquer lugar.
Muito breve, o mundo não será o mesmo.
Aplicativos como os dois ora apresentados ilustram os efeitos surpreendentes da incorporação da realidade aumentada ao mobile. A combinação explosiva dessas duas tecnologias promoverá uma revolução Ãmpar que transformará de modo irresistÃvel o dia-a-dia das pessoas, alastrando-se rapidamente para toda a sociedade.
É evidente que o Google ‘embarcou nesse trem’ com a clara certeza de que seria fatal permanecer de fora, ou mesmo – em face da sua ambiciosa visão corporativa – contentar-se com um papel de coadjuvante no processo. Mas também com o sabor amargo de que, se tivesse acordado antes, hoje a Apple não reinaria tão absoluta no mercado mobile.
Você está pronto?
Entretanto, mais importante do que o resultado do duelo entre os dois titãs é que este novo paradigma irá nos transportar a todos, como em um ‘trem-bala’, para um futuro que até então parecia distante. No cenário projetado, a atual hierarquia das marcas, abalada pelo impacto da mudança, será reordenada, em função da agilidade de cada uma em ‘pegar o trem’ antes que as outras.
É o momento da derradeira chamada na plataforma de embarque: “Atenção, marcas com destino à Era Mobile! O trem já está pronto pra partir: Último aviso!â€.  Ceticismo e hesitação poderão ser fatais.
Postado por Caio Antunes
Nesta semana, a grande notÃcia no mundo da tecnologia prometia ser o lançamento do Bing, novo sistema de busca da Microsoft. A empresa se empenhou: foram meses de press releases falando sobre o sucessor do Live Search, com uma cobertura extensa dos meios especializados. Tudo deveria culminar no dia 28 de Maio de 2009 (também conhecido como ontem). Só que isso não aconteceu. Hoje, a notÃcia que figura incansavelmente em dezenas de blogs e sites de tecnologia não veio da Microsoft, mas sim de um de seus grandes rivais: o Google.
Durante a convenção Google IO, a empresa de Mountain View surpreendeu uma platéia de aproximadamente 4 mil pessoas com o anúncio de um novo produto – ou melhor, protótipo de produto – chamado Google Wave. Apesar da proposta do Google Wave ser muito interessante e merecer um post por si só, vamos deixá-la de lado por enquanto e discutir o que gerou o efeito hipnótico da apresentação deste novo produto sobre o público que participava da Google IO (e, por extensão, sobre o mundinho da tecnologia em geral). Afinal, não é todo dia que uma pequena multidão de desenvolvedores (normalmente pessoas bastante sóbrias) aplaude, berra, pula e vibra com as mãos para os céus, bradando notebooks e celulares, após a apresentação de um produto.
1. Prepare o público para uma surpresa
Assim que chegaram ao Google IO, todos os participantes do evento ganharam um celular com o sistema operacional do Google, o Android. Isso foi suficiente para deixar todos felizes. E quando todo mundo achava que o telefone era a grande surpresa do evento, o VP de Engenharia do Google Vic Gundotra comentou: no dia seguinte as pessoas naquela sala seriam testemunhas de um “grande anúncio”. Imagine como esse povo voltou para o hotel; imagine a expectativa para a próxima palestra, somada à alegria de um celular novinho no bolso. O público estava IMPLORANDO para vibrar pelo Google. Colocar o público a seu favor pode ser visto como uma “trapaça” (ainda mais se algum apelo material for utilizado), mas a verdade é que isso funciona.
2. Faça com que o público se sinta parte da ação
No dia seguinte, um público elétrico ouviu o mesmo Gundotra anunciar um produto, ou melhor, um protótipo. Pensando bem, não foi um anúncio – foi um chamado. Vic não disse algo como “nós do Google, magnânimos e superiores, estamos mostrando em primeira mão algo que fizemos para que vocês babem e nos invejem”. Não. Ele disse: “nós estamos mostrando isso para vocês porque estamos excitados com as possibilidades revolucionárias que este produto oferece e, francamente, porque PRECISAMOS DA AJUDA DE VOCÊS para torná-lo realidade”. PeraÃ, vamos traduzir esta frase: “nós vamos moldar o futuro, e queremos que vocês nos ajudem”. Que engenheiro de software em sã consciência não ficaria empolgado com esta promessa? Certamente não aqueles que já estavam em êxtase desde o dia anterior. E como se a promessa não fosse suficiente, Gundotra emenda a informação de que “todos os que estão na sala receberão imediatamente acesso à versão de testes do aplicativo”. É quase covardia.
3. Não decepcione
Mesmo tendo feito um bom trabalho em despertar a curiosidade e o “sentimento épico” no público, tudo poderia ir por água abaixo se o Google Wave fosse, no final das contas, um produto fraco (o que, aliás, ele não é). E daà tiramos mais uma lição: não decepcione. Ao criar expectativas gigantescas para alguma ação, anúncio ou produto, tenha consciência de que isso pode causar uma decepção igualmente gigantesca. Se não tiver plena confiança no que for fazer, talvez seja mais sábio manter a discrição.
O resultado

Quatro mil engenheiros e desenvolvedores satisfeitos, empolgados e definitivamente engajados com o Google. Pessoas que, importantes ou não no mundo da tecnologia, postaram elogios infinitos em seus blogs e mostraram com orgulho as “beta keys” que os permitem acessar o Google Wave para seus amigos e colegas de trabalho.
Um pequeno exército que conseguiu, em apenas dois dias, abafar uma campanha meticulosamente planejada para alavancar o lançamento do produto de uma empresa concorrente.
Postado por Thiago Campezzi