Esta semana, dia 13, será o início oficial de The Pepsi Refresh Project. O projeto faz parte do novo posicionamento da marca, o Refresh Everything, e tem um orçamento de 20 milhões de dólares.

O que surpreende é menos o valor do projeto, e mais o fato dos recursos terem sido transferidos das suas famosas campanhas de TV realizadas durante 23 anos seguidos no Super Bowl, o maior evento de futebol americano nos EUA.  Segundo a ABC News, nos últimos 10 anos, a empresa investiu 142 milhões de dólares em comerciais, com participações do nível de Bob Dylan, Britney Spears e Justin Timberlake.

O que é o projeto?

O acontecimento marca, portanto, uma grande reviravolta na estratégia de comunicação da empresa.

Frank Cooper, diretor da área de engajamento do consumidor da PepsiCo , afirma que “em 2010, cada uma das nossas marcas de bebida terá uma estratégia e uma plataforma de marketing que será menos sobre um grande evento ou um momento, e mais sobre um movimento”.

Como funciona?

De acordo com o regulamento do Refresh Project o objetivo é premiar ideias para melhorar as condições de vida das pessoas. As ideias já poderão começar a ser enviadas para o site oficial e lá serão classificadas em seis categorias:

A partir do dia 1° de fevereiro, as pessoas escolherão as suas ideias preferidas. As que alcançarem maior votação receberão apoio financeiro da Pepsi, entre US$ 5 mil e US$ 50 mil, totalizando US$ 1,3 milhão por mês.

O Refresh Everything inclui um reality show, igualmente restrito a moradores dos EUA, chamado “If I Can Dream”, que mostrará ao público a trajetória de cinco jovens que têm por objetivo fazer sucesso em Hollywood. A iniciativa resulta de uma parceria com a Ford, outra empresa com estratégia agressiva em mídias sociais.

Qual é o significado?

A atitude da Pepsi é o marco de uma mudança já anunciada. Estamos assistindo o final da era das grandes verbas de mídia para TV, em que os recursos se destinam exclusivamente à produção e veiculação dos anúncios, cujos efeitos se diluem rapidamente. E o início de uma nova, em que o principal destino dos recursos é o meio digital, onde as aplicações têm um efeito residual, mais duradouro.

Nesta campanha, por exemplo, a maior parte dos recursos tem por finalidade a implementação das ações eleitas pela população, para o seu próprio bem-estar.

Qual o alcance dos resultados?

A Pepsi, como pioneira, cabe o desafio de definir as métricas mais adequadas para avaliar o retorno dos investimentos, diante dos múltiplos efeitos, nem todos diretos e imediatos. Em primeiro lugar, ela deve ter em mente qual são os seus objetivos e, a partir daí, avaliar a contribuição do Refresh Project para alcançá-los.

Mas o desafio não é tão simples. A mensuração dos resultados vai muito além da quantidade de mídia espontânea, dos seguidores no Twitter e fãs no Facebook conquistados, e obviamente do conseqüente impacto conjunto desses fatores sobre as vendas do refrigerante.

Por que integrar sustentabilidade e engajamento?

Quando se trata de solidariedade e sustentabilidade, muitas pessoas afirmam que tem vontade de ajudar de alguma forma, mas não sabem como fazê-lo, sem ser pela forma tradicional, e nem sempre bem aceita, de doações em dinheiro ou recursos materiais, ou pelo voluntariado.

Com o projeto a Pepsi impulsiona nos EUA a missão de cooperar para a transformação do mundo em um lugar melhor para viver, estabelecendo para isso uma forte conexão com os consumidores. Tal ligação caracteriza uma inovadora forma bilateral e holística de engajamento.

Como a viralização acontece?

Como subproduto, a marca irá investir na identificação e mapeamento de um grande contingente de pessoas a serem envolvidas em um relacionamento para durar bem mais que 30 segundos. Essas pessoas, tendo ou não as suas idéias premiadas, são as que possuem o perfil adequado para influenciar outras, defendendo as suas vantagens em relação à concorrência e incentivando-as a aderir à marca.

E, no médio e longo prazo, os efeitos poderão ainda ser potencializados com a ampliação do mercado, decorrente da melhoria da qualidade de vida da população, conquistada como resultado das ações implementadas.

Qual o impacto sobre o mercado?

O caminho que a marca começa a trilhar é inédito no mercado de refrigerantes. A depender do sucesso do projeto, a vinculação da imagem da Pepsi com os elevados valores humanos poderá permanecer guardada na memória das pessoas por muito tempo. E terá impacto na sua disputa com a rival Coca-Cola pela preferência dos consumidores.

A partir do exemplo da Pepsi as marcas, independente do mercado em que atuem, deverão vislumbrar o real potencial e a força que um tema relevante como a sustentabilidade possui dentro do ambiente das mídias sociais.

E abre-se espaço para um novo paradigma, que poderá rever o conceito econômico da Mão Invisível, de Adam Smith, segundo o qual o mercado se auto-regula e prospera em um ambiente onde todos atuam exclusivamente em benefício próprio. Em seu lugar, passa a existir um ambiente regido pela transparência das relações multilaterais, característica das mídias sociais, em que todos cooperam para a construção do bem comum.

Postado por Caio Antunes

5 comentários para “Pepsi aposta alto em sustentabilidade e engajamento”

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  1. alan david says: 12 de janeiro de 2010 às 13:47

    legal, em 2010 apostar em sustentabilidade e engajamento, é apostar em algo quase certo. Porém a Pespi vai ter evoluir muito para conseguir realmente estampar a marca com símbolo de uma empresa que se preocupa com sustentabilidae e conseguiu ter engajamento com seus clientes. A Pepsi decidiu revolucionar o modo com está fazendo marketing, muita novidade pode surgir por ai, vamos ver!

    Responder
  2. Paulo Henrique says: 13 de janeiro de 2010 às 23:58

    Esse projeto me faz lembrar o 7 project.

    Responder
    • Caio Antunes says: 18 de janeiro de 2010 às 12:57

      Tem razão Paulo. A iniciativa da Pepsi é bem semelhante ao project 7. Não conhecia essa iniciativa. Obrigado pela dica.

      Um abraço.

      Responder
  3. Rodrigo says: 18 de janeiro de 2010 às 10:43

    Até agora notei apenas que praticamente todos os bares que costumo frequentar no Rio de Janeiro assinaram contratos com a Pepsi, sendo proibidos de vender Coca-Cola. Houve um dia em que comprei uma garrafa de Coca-Cola para tomar enquanto fazia uma refeição em um bar e, pasmem, me pediram para parar de tomar o refrigerante, pois pagariam mula se a “fiscalização” visse alguém no bar consumindo Coca-Cola.
    Em suma, até o momento, o que a Pepsi me ofereceu em 2010 foi um belo “Compre Pepsi ou não compre nada”, que não ajuda em nada essa imagem que a marca quer agregar à sua, a menos que você considere esse tipo de reserva de mercado como “engajamento”. Rs

    Responder
  4. Joca Oliveira says: 19 de janeiro de 2010 às 10:05

    Muito bom o post Caio, parabens!
    Além de fazer uma analise importante sobre o momento de mudança que o mundo da comunicação vem vivendo, onde a intervenção de grandes midias já não tem maior relevancia que o engajamento no universo online, você também fez um paralelo com a teoria de Adam Smith muitoo bom! Pepsi estabeleceu um marco na comunicação, vamos ver quantas marcas vão vir na onda.

    Agora na boa Rodrigo, esse seu comentário deveria ser mais pensado cara. Não estamos falando de negociação de trademarketing, mas sim de ferramentas de comunicação.

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