
Não é novidade nenhuma que a social web deu voz para todos. Cada pessoa é uma nova mídia de duas mãos, com seus amigos reais, virtuais e followers acompanhando cada update que é feito nas redes sociais que participam. Isso sem falar nos transeuntes, que navegam sem destino por perfis, blogs, twitters e etc, sem saber ao certo o que procuram, só pra ver no que vai dar.
Você pode ter ouvido falar sobre o Número de Dunbar, que define um limite teórico de que uma pessoa é capaz de manter 150 relações sociais estáveis. Ou seja, só assim a pessoa realmente é capaz de conhecer cada membro do seu grupo e como cada um destes membros se relaciona com as outras pessoas do mesmo grupo.
É justo considerar que as plataformas criadas nos últimos anos, em especial Orkut, Facebook e Twitter, auxiliam na organização das relações e das informações relevantes sobre as pessoas, mas será que essa capacidade se multiplicou por 10, 20, 30? Dificilmente.
É quase trivial encontrar pessoas que seguem mais de 1000 perfis no Twitter. A @BritneySpears, que acabou de perder a corrida para ser o primeiro perfil a atingir um milhão de followers (vitória do Ashton Kutcher, aka @aplusk), é um exemplo extremo: além de dar shows, entrevistas e viver on the fast lane, segue mais de 225.000 perfis – Mas será que segue mesmo? Se sim, quero a receita – afinal, saber o que 225.000 pessoas estão pensando em real time é o mais próximo da onisciência que eu consigo imaginar. Ainda bem que o Twitter está lutando contra a adição em massa de usuários pra tentar evitar essa guerra por seguidores.
Tem muita gente (e mais vindo aí!) fazendo 5, 10, 20…50 tweets num dia. A pergunta de um milhão de dólares é: Como fazer pra ouvir todo mundo, nessa freqüência tão grande, e ainda assim conseguir viver, trabalhar, sair de casa pra curtir os amigos ou pegar um cineminha?
Das duas uma: ou ninguém está vivendo, ou ninguém está ouvindo!
Os benefícios da social media são inegáveis. Pessoas, empresas e governos lutam por sua presença na statusfera, numa corrida alucinada para se tornar o mais rico na economia da atenção. O risco é de vivermos uma nova bolha, onde depois de acompanhar milhares e milhares de updates, pessoas notem que pouquíssimos foram realmente úteis, e que o tempo gasto na tentativa de absorção de uma massa enorme de informação nunca vai ser recuperado. Seria praticamente a volta da era da interrupção, mas agora com muito mais gente fazendo broadcasting, ao invés de conversando.
Mas calma, não precisamos jogar o computador, celular, contas em serviços 2.0 e RSS reader pela janela. O negócio é buscarmos ser cada vez mais relevantes para nossos amigos, followers, FoFs (friends of friends) e transeuntes, e ao mesmo tempo sermos mais criteriosos na hora de determinar em quem vamos “investir nossa atenção”, acompanhando apenas quem, de fato, impacta positivamente nossa vida. A natureza foi muito sábia ao nos dar uma boca e dois ouvidos.
Postado por Bruno Ancona Lopes
Um comentário para “todo mundo está falando…mas quem está ouvindo?”
Feed para esta Entrada Endereço de trackbackNo twitter, quando quero que alguem específico me “escute” eu dou um reply, e “escuto” quem faz isso tb.
Acho que isso tb funciona para perfis reais com muitos seguidores…
Como na vida real, vc da mais ouvidos a alguns e nas redes sociais tb. Milhares de pessoas podem falar com vc, mas vc soh vai “ouvir” quem realmente importa…
Eu sempre faço essa comparação e caiu na mesma conclusão, no mundo virtual funciona do meio jeito mas de um maneira exagerada…portando, sem segredos…